Poética da relação em um missosso angolano

  • Wellington Marçal Carvalho Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais
Palavras-chave: Literatura angolana Tradição oral, Literatura menor, Poética da relação.

Resumo

Objetiva apresentar leitura do romance Mãe, materno mar do angolano Boaventura Cardoso, amparada nas reflexões teóricas, entrelaçadas, acerca das noções de literatura menor e, da categoria da produção cultural ancorada nas tradições orais do povo angolano, notadamente, os missossos. O intento é, sobretudo, demonstrar que esse romance permite, exemplarmente, pelo menos no espaço da literatura, a materialidade do que se convencionou nomear poética da relação. Foi possível concluir que essa obra recupera, enquanto exercício de sabedoria, as marcas da tradição viva e, para além disso, enceta uma escrita que coloca em relação culturas díspares em uma posição dialógica para a feitura de um mosaico tipicamente angolano: o missosso.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Wellington Marçal Carvalho, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

Doutorando em Literaturas de língua portuguesa pela PUC Minas (Bolsista CAPES).

Referências

ANDRADE, Fernando Costa. Entre a voz do fogo e o eco materno do mar: antigos capilares da terra. In: CHAVES, Rita; MACÊDO, Tania; MATA, Inocência (Org.). Boaventura Cardoso: a escrita em processo. São Paulo: Alameda, 2005. p. 61-64.

CARDOSO, Boaventura. Mãe, materno mar. Porto: Campo das Letras, 2001.

CARDOSO, Boaventura. Saudação do Ministro da Cultura de Angola. In: SECCO, Carmen Lucia Tindó; SALGADO, Maria Teresa; JORGE, Silvio Renato (Org.). Pensando África: literatura, arte, cultura e ensino. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, 2010a. p. 23-25.

CARDOSO, Boaventura. Temáticas e ideais de escrita que perfilho. In: SECCO, Carmen Lucia Tindó; SALGADO, Maria Teresa; JORGE, Silvio Renato (Org.). Pensando África: literatura, arte, cultura e ensino. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, 2010b. p. 35-39.

CESAR, Rafael. A alegórica Mãe, materno mar angolana e a importância da obra de Boventura Cardoso na escrita da história de Angola. Revista do Núcleo de Estudos de Literatura Africana da UFF. Rio de Janeiro, v. 3, n. 5, nov. 2010. p. 185-189.

CHAVES, Rita; MACÊDO, Tania. Breve apresentação dos textos de Boaventura Cardoso. In: CHAVES, Rita; MACÊDO, Tania; MATA, Inocência (Org.). Boaventura Cardoso: a escrita em processo. São Paulo: Alameda, 2005. p. 249-255.

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Kafka: para uma literatura menor. Lisboa: Assírio & Alvim, 2002. 148 p.

FERREIRA, Guadalupe Estrelita dos Santos Menta. A simbologia do sagrado e do profano: uma viagem no comboio de Mãe, materno mar. In: CONGRESSO INTERNACIONAL DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PROFESSORES DE LITERATURA PORTUGUESA, 22., 2009, Anais... Salvador: ABRAPLIP, 2011. p. 1716-1725.

FONSECA, Maria Nazareth Soares. Processos narrativos e recriações linguageiras na obra de Boaventura Cardoso. In: CHAVES, Rita; MACÊDO, Tania; MATA, Inocência (Org.). Boaventura Cardoso: a escrita em processo. São Paulo: Alameda, 2005. p. 89-106.

GLISSANT, Édouard. Introdução a uma poética da diversidade. Juiz de Fora: Ed. da UFJF, 2005. 172 p.

GONÇALVES, Virgínia Maria. O Tirésias angolano em Mãe, Materno Mar de Boaventura Cardoso. In: CHAVES, Rita; MACÊDO, Tania; VECCHI, Rejane (Org.). A kinda e a missanga: encontros brasileiros com a literatura angolana. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2007. p. 407-421.

KANDJIMBO, Luís. Mãe, materno mar: caos, incerteza e religiosidade. [20--?]. Disponível em: <http://www.nexus.ao/kandjimbo/recensoes/incerteza.htm>. Acesso em: 30 ago. 2011.

PADILHA, Laura. Cartogramas: ficção angolana e o reforço de espaços e paisagens culturais. Alea. Rio de Janeiro, v. 7, n. 1, jun. 2005. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1517106X2005000100009&script=sci_arttext>. Acesso em: 30 ago. 2011.

PADILHA, Laura Cavalcante. Missosso: literatura tradicional angolana. [Primeiro] segmento: exercícios de sabedoria. In: PADILHA, Laura Cavalcante. Entre voz e letra: o lugar da ancestralidade na ficção angolana do século XX. Niterói: Ed. da UFJF, 1995. p. 15-52.

SANTOS, Olimpia Maria dos. A alegórica Mãe, materno mar angolana. Rio de Janeiro: Caetés, 2008. 247 p.

SARAIVA, Sueli da Silva. A experiência do tempo em dois romances africanos: Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra e Mãe, materno mar. 2008. 147 p. Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo. 2008.

SECCO, Carmen Lúcia Tindó Ribeiro. A presença de religiões, mitos e sonhos em letras e telas angolanas. In: CONGRESSO INTERNACIONAL DA ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE LITERATURA COMPARADA, 4., 2001. Anais... Évora: Universidade de Évora. Disponível em: <http://www.eventos.uevora.pt/comparada/VolumeI/A%20PRESENCA%20DE%20RELIGIOES.pdf>. Acesso em: 30 ago. 2011.

SECCO, Carmen Lucia Tindó Ribeiro. Os recantos da memória e os cantos e encantos da linguagem (Boaventura Cardoso e Guimarães Rosa: aproximações possíveis). In: LEÃO, Ângela Vaz (Org.). Contatos e ressonâncias: literaturas africanas de língua portuguesa. Belo Horizonte: PUC Minas, 2003. p. 237-245.

SILVA, Renata Flávia da. Um trem pras estrelas. Revista do Núcleo de Estudos de Literatura Africana da UFF. Rio de Janeiro, v. 2, n. 3, nov. 2009. p. 168-171.

Publicado
22-08-2018
Como Citar
Carvalho, W. M. (2018). Poética da relação em um missosso angolano. Scripta, 19(37), 137-152. https://doi.org/10.5752/P.2358-3428.2015v19n37p137
Seção
Dossiê temático: Literatura e oralidades