Memorial herbário de Lobo Antunes

  • Flavio França Universidade Estadual de Feira de Santana
  • Tércia Valverde Universidade Estadual de Feira de Santana
Palavras-chave: Literatura portuguesa, Lobo Antunes, Estudo fitonímico, Etnobotânica

Resumo

Entre os símbolos que Lobo Antunes usa em suas obras estão as flores, numa profusão de nomes e de objetos com características vegetais. O trabalho aqui apresentado visa listar as espécies vegetais nos romances de António Lobo Antunes: Memória de Elefante  (2016 [1979]); Os Cus de Judas (2010[1979]) e  Conhecimento do Inferno (1999[1980]) e. Foram por nós contabilizados pelo menos 471 citações de espécies vegetais ou materiais fitomórficos. Em Memória de Elefante foram registradas 70 citações, em Conhecimento do Inferno 234 citações e, em Os Cus de Judas, 167 citações. Estas citações redundam em pelo menos 98 espécies vegetais diferentes (retirando os fitomórficos). As espécies mais citadas foram: plátano com 33 citações (c. 7%); eucalipto 24 (5%); tabaco 21 (c. 4,5%); pinheiro (caruma +Pinhal) 19 (c. 4%); capim 18 (c. 3,8%); tomate 16 (c. 3,4%); mangueira e palmeira 13 citações cada (c.2,8%); laranja (+ laranjeira) e maçã com 12 citações cada (c. 2,5%);  batata 11 (c. 2,3%); acácia, girassol e oliveira (+azeitona) com 10 citações cada (c. 2,1%);  algodão, vinha (+Uva) e couve (+repolho) todos com 9 citações cada (c. 2%). Estas espécies somam mais que 50% de todas as citações. As espécies vegetais citadas nos romances estudados ajudam a estabelecer o ambiente em que as ações se desenrolam, caracterizando lugares ou transmitindo emoções. A diferença entre as plantas utilizadas nos dois contextos demonstra um cuidado estético na ambientação das ações. Os fitomórficos são utilizados como componentes da estética dos romances, elevando o nível poético de algumas passagens.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

ALMEIDA, José. Dicionário aberto de calão e expressões idiomáticas. Atualizado em 8 mar 2021. Disponível em <https://natura.di.uminho.pt/~jj/pln/calao/dicionario.pdf>, acesso em 14 ago 2021.

ANTUNES, Antônio Lobo. Conhecimento do inferno. Lisboa: Dom Quixote, 11°Ed., 1999.

ANTUNES, Antônio Lobo. Os cus de Judas. 2a. Edição. Rio de Janeiro: Objetiva, 2010.

ANTUNES, Antônio Lobo. Memória de elefante. Disponível em <https://epdf.pub/memoria-de-elefante.html>, acesso 22 jun 2016

AZEVEDO, Aluízio. O Cortiço. 4a. Ed. Série Bom Livro. São Paulo: Ática, 1976

BRASIL. Caderno de diretrizes museológicas. 2º Edição Brasília: Ministério da Cultura / Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional/ Departamento de Museus e Centros Culturais, Belo Horizonte: Secretaria de Estado da Cultura/ Superintendência de Museus, 2006.

CARIJÓ, Sílvia. Memória de elefante de António Lobo Antunes: o texto em diálogo com as artes visuais. Em Tese, v. 19 n. 2, p. 84-94 2013.

CÉLINE, Louis-Ferdinand. Voyage au bout de la nuit.Paris: Folioplus classique, 2009.

CHEVALIER, Jean; GHEERBRANT, Alain. Dicionário dos Símbolos. Trad. Vera da Costa e Silva. 30a. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2017.

CUNHA, Isaías. Os cus de judas e terra sonâmbula: uma análise comparativa sobre a perspectiva da condição humana na visão de António Lobo Antunes e Mia Couto. Inventário. n. 27, p.81-95, 2021.

DOMINGOS, Jeremias. A importância da floresta indígena e exótica no desenvolvimento económico e social de angola: situação actual e potencialidades. Dissertação de Mestrado. Évora: Universidade de Évora, 2014. 55p.

ENGEL, Vera; FONSECA, Renata; OLIVEIRA, Renata. Ecologia de lianas e o manejo de fragmentos florestais Série Técnica IPEF, v. 12, n. 32, p. 43-64,1998

GERSÃO, Teolinda. A cidade de Ulisses. Rio de Janeiro: Oficina Raquel, 2017.

GIBSON, Clare. Como compreender símbolos. Trad. Luís Borges. São Paulo: Editora Senac, 2012.

GIROLA, Maristela. Contribuições literárias para os estudos narrativos a partir de um Corpus português: a narrativa em António Lobo Antunes. Letras, v. 26, n. 53, p. 127-151, 2016.

JUDD,Walter; JUDD, Graham. Flora of Middle-Earth: plants of J.R.R. Tolkien's legendarium. Oxford: Oxford University Press, 2017.

MCCRAE, John . In Flanders field.Punch Magazine, december 8, p. 468, 1915. Disponível em: https://archive.org/details/punchvol148a149lemouoft/page/994/mode/2up, acesso em 02 ago 2021.

MCDOWELL, Dane. L'herbier de Marcel Proust. Paris: Flammarion, 2017.

MARQUES, Raniere. A cultura em Paulicéia Desvairada. DLCV, v. esp., n. 1, p. 9-26, 2015.

MELO, Carla. O eterno retorno na trilogia de Lobo Antunes: o sujeito e suas máscaras à deriva. Desassossego, v. 11, p. 88-102, 2014.

NAVAS, Diana. Memória de elefante de António Lobo Antunes: diálogos intertextuais, Desassossego 14, 219-232,, 2015

NORDLUND, Solveig. António Lobo Antunes: Escrever, escrever, viver Coleção Escritores Portugueses, Portugal, 2009, 53', cor

REZENDE, Joffre Marcondes. À sombra do plátano: crônicas de história da medicina [online]. São Paulo: Editora Unifesp, 2009. 408p.

SCHEEL, Márcio. Memória, viagem e angústia em “Conhecimento do Inferno”, de Antonio Lobo Antunes. Letras, v. 19, n. 1, p. 169–193, 2009

SEIXO, Maria. As flores do inferno In idem. Romances de António Lobo Antunes. v. 2. Córdova: Publicações Dom Quixote, 2010, p. 17-128.

SEIXO, Maria. Os sabores da literatura ou: Como a gastronomia se apoia nos modos de dizer. ABRIL– Revista do Núcleo de Estudos de Literatura Portuguesa e Africana da UFF, v. 6, n. 12, p. 16-35, 2014

SOUZA, Sérgio. Sob o signo de Céline (Memória de Elefante, Os Cus de Judas, Conhecimento do Inferno). Santa Barbara Portuguese Studies (digital edition), v.6, p.5-17, 2021, disponível em < https://sbps.spanport.ucsb.edu/sites/default/files/sitefiles/volume/Vol_6/2%20Sousa%20-%20Sob%20o%20signo%20de%20Ce%CC%81line.pdf>, acesso 18 ago 2021.

Publicado
27-06-2023
Como Citar
França, F., & Valverde, T. (2023). Memorial herbário de Lobo Antunes. Scripta, 27(59), 401-431. https://doi.org/10.5752/P.2358-3428.2023v27n59p401-431
Seção
Parte II. Leitura em foco: o texto literário