A igreja no cárcere e a memória transcrita: a releitura do espaço prisional por Frei Betto no período da ditadura civil-militar brasileira

  • Emerson Cássio Maia Carvalho Graduando do Curso de Letras pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.
Palavras-chave: Literatura. História. Prisão. Enunciação.

Resumo

Neste trabalho, buscou-se investigar um conjunto de cartas de Frei Betto reunidas nos livros Das catacumbas, Cartas da prisão e O canto na fogueira. Essas cartas foram produzidas em seu tempo de cárcere e enviadas a amigos, familiares e membros eclesiais, em um momento crítico da história recente do Brasil, qual seja a ditadura civil-militar instalada em 1964. Objetivou-se entender como se dá, através de suas cartas aqui consideradas arquivos de memórias, a construção identitária do autor Frei Betto, em seus desdobramentos enunciativos, a partir de um espaço precário e autoritário. Com efeito, o espaço prisional é categoria importante em que se estruturam as memórias e, por meio das análises realizadas, mostrou-se ser ressignificado pelo autor / enunciador ao longo de seu confinamento: se, inicialmente, é tratado como um alojamento obrigatório para os indesejados do convívio social, espelhando os conflitos de classes e misérias humanas, depois é metaforizado como um genuflexório em que o autor/enunciador se ajoelha diante da própria existência em um ato de remissão pela fé.

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Biografia do Autor

Emerson Cássio Maia Carvalho, Graduando do Curso de Letras pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.
Graduando do Curso de Letras pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e bolsista de iniciação científica do CNPq.

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Publicado
19-06-2019