NUTRICIONISMO: Uma abordagem que ignora a complexidade dos alimentos

  • Márcia Maia Sathler
  • Maria Ângela de Barros Correia Menezes

Resumo

Os rótulos e as tabelas de composição de alimentos são as duas principais ferramentas a que se tem acesso para estimar o conteúdo nutricional de um determinado alimento ou dieta na prática clínica. Por essa razão, tabelas de composição de alimentos vêm sendo criadas e atualizadas por diversos países ao longo dos anos, tornando-se cada vez mais regionalizadas e com maior número de nutrientes analisados por métodos com confiabilidade. Mas ainda que sejam reais a evolução das tabelas e a luta pela melhoria constante das informações contidas nos rótulos, alguns pesquisadores acreditam que os seus dados permanecem insuficientes diante do avanço das técnicas analíticas disponíveis e da complexidade da composição dos alimentos. Além disso, muitos estudos que consideram os nutrientes de forma isolada, têm sido aplicados na prática clínica e aproveitados pela indústria de alimentos para o lançamento de inúmeros produtos de baixa qualidade. A principal reflexão, de ordem prática, desse contexto é que muitas condutas nutricionais – feitas por profissionais ou não – têm sido adotadas hoje, tendo como base um conhecimento muito limitado sobre a real composição dos alimentos e os efeitos que eles causam. Inúmeras restrições são feitas a todo tempo baseadas na redução dos alimentos a alguns dos seus nutrientes mais conhecidos, aclamados ou rejeitados por pesquisas que os tratam de maneira isolada. O Guia Alimentar para a População Brasileira faz alertas cada vez mais incisivos sobre esse tipo de conduta desde a sua primeira edição, em 2006. Na última versão, de 2014, ele inclui ainda comentários sobre pesquisas recentes que comprovam a maior eficiência dos padrões alimentares sobre a saúde da população e sobre a falta de resultados conclusivos em relação à utilização de nutrientes isolados como base para a prática clínica. Para exemplificar os fatos expostos, utilizo aqui alguns resultados da minha dissertação de mestrado, que mostram uma diferença importante em relação a composição elementar da farinha de arroz e da farinha de trigo branca – ingredientes que receberam bastante destaque nos últimos tempos devido à condenação do glúten por uma parcela da população e dos profissionais da saúde.

Downloads

Não há dados estatísticos.
Publicado
30-06-2021
Seção
SEÇÃO TEMÁTICA - ALIMENTAÇÃO E SOCIEDADE: AS DISCUSSÕES VÃO DO CAMPO ATÉ A MESA