MATERNATIVA: PENSANDO UM CAMPUS PARA MÃES E CRIANÇAS ATRAVÉS DAS AÇÕES AFIRMATIVAS E DAS REDES DE APOIO

  • Talita Melgaço Fernandes UFMG
  • Thaís Teles Rocha UFMG
  • Gisele Camilo da Mata UFMG
Palavras-chave: MATERNIDADES, INFÂNCIAS, AÇÕES AFIRMATIVAS, REDES DE APOIO, UNIVERSIDADE

Resumo

O presente artigo tem como objetivo geral incitar a reflexão e a discussão sobre as experiências do ser mãe e do ser criança como parte constitutiva da Universidade pública no Brasil, a partir de uma análise da ColetivA MaternAtiva UFMG. Para alcançá-lo, alguns objetivos específicos se fazem necessários, tais quais: [1] explicitar a relação histórica entre mulheres, educação e conhecimento, bem como o poder que emana das margens; [2] descrever a experiência da ColetivA na UFMG a partir de sua aprovação no edital de Ações Afirmativas da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis em 2018 e [3] delimitar os conceitos de ações afirmativas e redes de apoio,
pilares do grupo analisado. Uma vez que as pesquisadoras também fazem parte do grupo, a abordagem de geração de dados utilizada foi a etnográfica, através da observação participante e da análise de materiais produzidos pela própria MaternAtiva. A conclusão a que se chega é que as intervenções da MaternAtiva interpelam o ambiente universitário na tentativa de produzir uma reflexão e transformação dos espaços de poder que podem ser acessados pelas maternidades e infâncias diversas, mas a ColetivA ainda se depara com limites estruturais que demandam uma sensibilização comunitária.

Biografia do Autor

Talita Melgaço Fernandes, UFMG

Doutoranda em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Mestra em Ciência Política pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Bacharela em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB). Atualmente é pesquisadora do Centro de Estudos e Pesquisas sobre Mulheres, Gênero, Saúde e Enfermagem (GEM) da UFBA e do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher (NEPEM) da UFMG. É associada à Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP) e a Minas de Doulas - Associação de Doulas de Minas Gerais. Desde 2011, já participou do/a: AMUN Kids (projeto de extensão); UMANITÀ (grupo de debate em direitos humanos); Simulações das Nações Unidas - SiNUS (organização de evento); Centro Acadêmico de Relações Internacionais UnB; Domani (EJ); Movimento Empresa Júnior; Divisão de Direitos Humanos do Ministério das Relações Exteriores (estágio), do Movimento Nasce Leonina e da ColetivA MaternAtiva UFMG. Realizou intercâmbio na International Language Academy of Canada (ILAC), em Vancouver em 2015. Em 2017 tornou-se Doula, pelo curso Revelando Doulas XIII do Grupo Mulheres Empoderadas (SP). Tem interesse nas seguintes temáticas: Direito Internacional dos Direitos Humanos, Política Internacional, Políticas Públicas, Saúde das Mulheres, Saúde Reprodutiva, Movimentos Sociais e Estudos sobre Poder.
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Thaís Teles Rocha, UFMG

Graduada em Antropologia Social pela Universidade Federal de Minas Gerais. Graduanda em Arqueologia pela mesma instituição. Atualmente atua como bolsista de extensão no projeto Ciranda - Justiça Restaurativa, vinculado à Faculdade de Direito da UFMG e como pesquisadora vinculada ao projeto Violência Obstétrica: Enfrentamento e Empoderamento - VOE, da Escola de Enfermagem da UFMG. Foi bolsista de iniciação científica do Projeto Mãe Solo - Conjugalidades e Parentalidades em 2020. Foi bolsista de extensão e pesquisadora da intervenção Sentidos do Nascer em 2019. Foi bolsista do Programa Pólos de Cidadania em 2018, atuando com mulheres-mães vulnerabilizadas pelo Estado. Foi bolsista do Programa de Monitoria do Departamento de Antropologia e Arqueologia da Universidade Federal de Minas Gerais em 2017. Foi bolsista de extensão do Mapeamento de Povos e Comunidades Tradicionais em Minas Gerais de 2016 a 2017 e do Espaço do Conhecimento da UFMG em 2016. Foi apoio técnico do Projeto Formulação de uma Linguagem Pública para Comunidades Quilombolas vinculado ao NuQ-UFMG em 2016 e do Dossiê dos Quilombos Urbanos de Belo Horizonte pela Fundação Municipal de Cultura em 2017. Desenvolveu pesquisa monográfica na área de Direitos Sexuais e Reprodutivos, Gênero, Maternidade e Raça. Possui interesse nas áreas de Gênero, Feminismo, Ciência, Estudos Étnico-Raciais e Comunidades Tradicionais. Se tornou mãe em 2017 e fundou o coletivo MaternAtiva UFMG, vinculado à Pro-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE) da UFMG.
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Gisele Camilo da Mata, UFMG

Mestranda em Educação e Docência/PROMESTRE vinculado à Faculdade de Educação da UFMG. Especialista em Gestão Pública pela Universidade do Estado de Minas Gerais - UEMG. Graduada em Processos Gerenciais: Ênfase em Gestão de Organizações do Terceiro Setor pela UEMG. Graduada em História pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Sete Lagoas - UNIFEMM. Fez parte da MaternAtiva UFMG. Atualmente, atua como Analista Universitário de Prestação de Contas na gestão de recursos de transferências voluntárias da União na UEMG. Mãe dos gêmeos Eleonora e Bartolomeu e pesquisadora na área de Gênero, Feminismo, Maternidade e Ciência.
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Publicado
07-04-2021