CASAMENTO INFANTIL NO BRASIL: UMA COLONIALIDADE DE GÊNERO

  • Camila Maria Figueiredo Malcher UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ
  • Maria Lúcia Chaves Lima
Palavras-chave: PSICOLOGIA, CASAMENTO INFANTIL, COLONIALIDADE DE GÊNERO

Resumo

Este artigo é tecido a partir dos resultados da pesquisa de mestrado em Psicologia sobre Casamento Infantil em Belém, no estado do Pará. Considerando os esforços de intelectuais latino americanos/as para executar a proposta de um giro epistêmico insurgente que parte das múltiplas vivências do sentir-pensar a e na América Latina, a crítica decolonial possibilitou analisar o dito fenômeno casamento infantil no país como uma das expressões da multifacetada colonialidade de gênero. Nesta análise é possível perceber um jogo de interesse/desinteresse governamental no qual de um lado está o ânimo diplomático para a proteção da infância e adolescência no Brasil, e do outro a preservação da herança colonial reproduzida nas estruturas da sociedade e Estado mantendo elementos que custeiam o sistema-mundo patriarcal/capitalista/colonial moderno implicando na prática do casamento na infância.

Biografia do Autor

Camila Maria Figueiredo Malcher, UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ

Mestre em Psicologia (UFPA), Psicóloga na Secretaria Municipal de Educação de Belém. Integrante do Grupo Inquietações: arte, saúde e educação. Estuda e pesquisa o pensamento Decolonial, relações de gênero e modos de subjetivação.
Contato: camila_malcher@hotmail.com / 91 984875786

Maria Lúcia Chaves Lima

Doutora em Psicologia Social (PUC-SP), professora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Pará, na qual coordena o Grupo Inquietações: arte, saúde e educação. Pesquisadora com experiência nas áreas de Psicologia Social, atuando principalmente sobre feminismo, relações de gênero e modos de subjetivação, diversidade sexual.
ORCID: 0000-0003-3062-2399
Contato: marialuciacl@gmail.com / (91) 988069900

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Publicado
07-04-2021