DEVIRES DISSIDENTES E CORPOS INDIGESTOS: AS EXISTÊNCIAS NEGRAS E LGBTS COMO RESPOSTAS AO DESEJO DUPLO DE DESTRUIÇÃO DA BRANQUITUDE CISHETERONORMATIVA

  • Thiago Teixeira Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais
Palavras-chave: Branquitude, Lgbtfobia, Devir, Subjetividade, Insurreição

Resumo

O processo constitutivo das subjetividades é associado às dinâmicas de poder. Nessa relação, isto é, entre o poder que potencializa o vir a ser dos sujeitos e as suas ações concretas no mundo, se interpõem as insígnias de legitimação ou não do que é lido e retroalimentado como vida. Pensar a construção dos devires dissidentes é enfrentar, de modo profundo, as estruturas de exclusão e de subalternidade que constantemente demarcam os espaços políticos entre o sujeito versus a norma. Colocamos em evidência as estruturas de branquitude e cisheternormatividade como grandes tecnologias de poder que articulam as consciências e, mais, que estabelecem a métrica da possibilidade no jogo político. Tratamos, a partir de uma perspectiva reativa, das conversões políticas, ou seja, da manifestação de corpos, que, embora sejam consumidos no seu lugar constituído como subalterno, se rebelam e se tornam indigestos.

Biografia do Autor

Thiago Teixeira, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

Mestre em Filosofia pela FAJE - Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia. Professor do Departamento de Filosofia da PUC Minas. E-mail: thiagoteixeiraf@gmail.com.

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Publicado
13-04-2021