DA PISTA E DO QUARTO DE DESPEJO AO TELEMARKETING

sujeitas subalternas, cuidado e os sentidos da terceirização

Palavras-chave: Terceirização, Cuidado, Mulheres cisgênero negras, Travestis, Mulheres transexuais

Resumo

Partindo de pesquisas empíricas anteriores desenvolvidas pelas autoras deste artigo sobre os processos de precarização das condições de trabalho e vida de trabalhadoras informais e terceirizadas (dos setores de limpeza e teleatendimento), este texto pretende problematizar em que medida as estruturas sociais, econômicas e jurídicas, pautadas em perspectivas classistas, racistas, patriarcais e cisheteronormativas, apresentam-se concretamente como limitantes dos trânsitos possíveis para mulheres cisgênero negras no mundo do trabalho brasileiro (encerrando parte importante delas entre o emprego doméstico, os serviços terceirizados de limpeza e as operações do telemarketing) e para as travestis e as mulheres transexuais (restritas muitas vezes à prostituição e às operações de telemarketing). Escolhemos abordar, especificamente, o fenômeno jurídico da terceirização, sobretudo em suas imbricações com o trabalho de cuidado, para além dos caracteres da reestruturação produtiva capitalista pós-fordista. A terceirização é revista como categoria jurídica fronteiriça e complexa, que se vale de processos de marginalização, invisibilização e desumanização para estabelecer uma regulação do trabalho em perspectiva relacional e mimética aos trabalhos que eram até antes naturalizados em relação a essas sujeitas subalternas no âmbito da informalidade, reforçando e reificando lugares sociais compreendidos como possíveis para elas.

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Biografia do Autor

Flávio Malta Fleury, Universidade Federal da Bahia (UFBa)

Professor Substituto de Direito do Trabalho e Legislação Social da Universidade Federal da Bahia (UFBa).  Mestre em Direito e Justiça pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Pós-graduando em Métodos y Técnicas de Investigación Social pelo Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales (CLACSO). Bacharel em Direito pela Universidade de Brasília (UnB). ORCID: https://orcid.org/0000-0001-6391-9098 E-mail: flaviomfleury@gmail.com

Renata Queiroz Dutra, Universidade de Brasília (UnB)

Doutora e Mestra em Direito, Estado e Constituição pela Universidade de Brasília (UnB). Professora Adjunta de Direito do Trabalho da Universidade de Brasília (UnB). Membro permanente do Programa de Pós-Graduação em Direito, Estado e Constituição da Universidade de Brasília (PPGD/UnB). Pesquisadora integrante dos Grupos Trabalho, Trabalho, Trabalhadores e Reprodução Social (CRH/CNPq/UFBa), Transformações do Trabalho, Democracia e Proteção Social (TTDPS/UFBa) e Trabalho, Constituição e Cidadania (FD/UnB). ORCID: https://orcid.org/0000-0003-0736-8556 E-mail: renata.dutra@unb.br

Publicado
21-06-2021
Seção
Dossiê - O desafio do trabalho feminino e sua relação com o Direito